Previsões imobiliárias para 2026 com o edifício Flatiron de Toronto em destaque num cenário noturno de nevoeiro.
Paulo Rocha

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Começámos 2025 com um sentimento nervoso de incerteza e, para variar um pouco, estamos a começar 2026 sem qualquer tipo de mapa.

Se o ano passado pareceu um "ano perdido" para o setor imobiliário, foi porque passámos doze meses à espera de uma retoma que nunca chegou a concretizar-se. Em janeiro passado, analisei o que 2025 nos poderia reservar no artigo: Mercado Imobiliário 2025: O Que Podemos Esperar?.

Olhando para trás, tivemos a descida das taxas de juro que tanto desejávamos, mas o "salto" no mercado ficou-se pelo caminho. Agora, ao entrarmos em 2026, a verdade nua e crua é que ainda não sabemos se as coisas vão finalmente avançar.

Juros a descer, mas o mercado continua travado

Esta semana, o Banco do Canadá manteve a taxa de juro nos 2,25%. Embora pareça uma boa notícia em comparação com o cenário de há dois anos, a verdade é que esta descida não gerou a corrida às compras que muitos previam. Com o dólar canadiano nos 0,74 USD e o peso das novas tarifas comerciais a afetar a economia, as pessoas estão a ser extremamente cautelosas com o seu dinheiro.

Já não estamos a tentar adivinhar até onde vão descer os juros. Agora, a dúvida é se a economia tem força suficiente para que as famílias se sintam confortáveis ao assumir um crédito à habitação.

Por que razão está tudo "em banho-maria"?

A realidade que vemos no terreno conta uma história de impasse:

  • O impasse dos condomínios: Em zonas como a Grande Toronto (GTA), há mais apartamentos à venda do que pessoas dispostas a comprar. Os vendedores continuam agarrados aos preços de 2023, mas os compradores olham para a economia e preferem esperar.

  • A segurança no emprego é o que conta: Com o desemprego nos 6,8%, a taxa de juro pouco importa se houver receio em relação ao posto de trabalho. As decisões de compra estão agora mais ligadas à estabilidade profissional do que ao custo do dinheiro.

  • Menos inquilinos no mercado: As novas regras que reduziram o número de estudantes internacionais e vistos de residência estão finalmente a sentir-se no mercado de arrendamento. Para os investidores, as contas já não são tão fáceis como antes.

Conclusão

Num mercado tão nebuloso, ter paciência é, por si só, uma estratégia. 2026 poderá eventualmente encontrar o seu equilíbrio, mas, por agora, não há mal nenhum em ficar de fora a observar. Todos queremos a recuperação do mercado, mas fingir que tudo voltou ao normal é, neste momento, apenas um desejo sem fundamento.


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Sobre o Autor

Paulo Rocha é Agente Sénior de Crédito Hipotecário na Mortgage Scout Inc., com mais de 35 anos de experiência a ajudar pessoas a poupar de forma mais inteligente, a reter mais do que ganham e a fazer crescer o seu património. Iniciou a sua carreira enquanto estudava Contabilidade e Economia na York University, e trabalhou em alguns dos maiores bancos do Canadá — RBC, TD Canada Trust, Scotiabank e CIBC — onde apoiou clientes com hipotecas, estratégias de crédito e planeamento financeiro pessoal.

Antes de se dedicar em exclusivo ao setor hipotecário, Paulo foi Consultor de Investimentos na Edward Jones, uma das maiores empresas de investimentos da América do Norte. Aí, trabalhou de perto com famílias na criação de planos práticos para investimentos, reforma e proteção patrimonial — sempre com objetivos reais no centro das decisões.

Defensor ativo da literacia financeira, Paulo é especialmente dedicado a ajudar a comunidade Luso-Canadiana a ganhar mais controlo sobre o seu futuro financeiro. Ao longo dos anos, manteve um forte envolvimento comunitário, tendo sido Vice-Presidente da Federação de Empresários e Profissionais Luso-Canadianos (FPCBP) e, atualmente, Diretor na ACAPO (Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas de Ontário).

O Ganhos e Gastos nasceu da convicção de Paulo de que a educação financeira deve ser simples, prática e acessível — ajudando as pessoas comuns a tomar decisões mais inteligentes e a construir um futuro financeiro mais sólido, um passo de cada vez.