This post is also available in:
Se há um tema que está a dominar todas as conversas políticas no Canadá — seja nos media ou nas nossas casas — é a crise da habitação.
Com preços a níveis impossíveis, falta de oferta e uma população a crescer rapidamente, todos sentimos o peso desta realidade.
À medida que nos aproximamos das eleições federais de 2025, os dois principais candidatos — Mark Carney (Liberais) e Pierre Poilievre (Conservadores) — apresentam propostas muito diferentes para enfrentar este desafio. Neste artigo, vamos resumir os pontos principais de cada plano, explicar como podem afetar as nossas vidas, e deixar-te pensar: qual deles pode mesmo pôr casas de pé?
O Plano dos Liberais – Mark Carney
Mark Carney, antigo governador do Banco do Canadá, entra com uma proposta ambiciosa que ele próprio chama de "Plano Marshall da Habitação". O foco está no envolvimento direto do governo na construção.
Pontos principais:
- Nova agência federal para construção de casas, especialmente em terrenos do governo.
- 25 mil milhões de dólares para apoiar casas modulares (construídas em fábrica, mais rápidas e baratas).
- Isenção de impostos (GST) em casas novas até 1 milhão de dólares — apenas para compradores pela primeira vez.
- Reativação de incentivos fiscais para quem constrói apartamentos para arrendamento (revivendo o antigo programa MURB).
- Grande aposta na habitação cooperativa e comunitária, com apoio a projetos indígenas.
- Investimento em formação profissional e inovação na construção (materiais sustentáveis, por exemplo).
A lógica do plano: o governo entra como parceiro, investidor e coordenador, trabalhando com municípios e províncias para acelerar a construção. A ideia é equilibrar o mercado sem o deixar totalmente nas mãos do setor privado.
O Plano dos Conservadores – Pierre Poilievre
Pierre Poilievre vê o problema da habitação como um resultado direto de demasiada burocracia e falta de ação local. O seu plano aposta fortemente em pressionar as cidades e libertar o setor privado.
Pontos principais:
- Cidades que não aumentem a construção perdem financiamento federal.
- Prémios em dinheiro para cidades que ultrapassem metas de construção.
- Isenção de GST em casas novas até 1,3 milhões — para todos os compradores.
- Permitir que canadianos mais velhos reinvistam lucros da venda de imóveis em novas construções sem pagar imposto.
- Libertar 15% dos terrenos federais para construção de habitação nos próximos 18 meses.
- Financiamento para transportes públicos passa a depender da densidade habitacional aprovada — mais casas, mais apoio.
A lógica do plano: menos burocracia, mais responsabilidade local e mais incentivos para quem quer construir.
O Que Está Realmente em Jogo?
Apesar das grandes diferenças, os dois planos têm um ponto em comum: o Canadá precisa de construir muito mais casas — e depressa.
A diferença está na abordagem:
| Tema | Liberais (Carney) | Conservadores (Poilievre) |
|---|---|---|
| Papel do Governo | Muito ativo | Reduzido |
| Apoio a compradores | Só primeiros compradores (< $1M) | Todos os compradores (< $1.3M) |
| Habitação Social/Cooperativa | Prioridade alta | Sem proposta clara |
| Apoios a investidores | Programas fiscais e modulares | Reinvestimento isento de imposto |
| Pressão sobre municípios | Parcerias | Penalizações e recompensas |
| Uso de terrenos federais | Gestão por agência pública | Abrir 15% imediatamente |
Afinal… Quem Vai Mesmo Pôr Casas de Pé?
Esta é a pergunta que muitos de nós fazemos.
Se tens filhos a tentar comprar casa, se trabalhas na construção ou se queres ver soluções reais para esta crise — estes planos interessam-te.
Queres mais intervenção do Estado e habitação acessível?
O plano de Carney pode fazer mais sentido.
Acreditas que o setor privado consegue resolver isto mais depressa?
Então talvez o plano de Poilievre te convença mais.
E Tu, O Que Pensas?
Deixa a tua opinião nos comentários.
Qual destes planos tem mais pernas para andar?
Ganhos e Gastos — onde falamos de dinheiro, casas e escolhas que afetam a nossa comunidade Luso-Canadiana.
This article is also available in English here.


